Eu caí e tentei me equilibrar nos seus braços. Mas continuei caindo sozinho. Eu desviei os olhos, porque estava com medo. Eu não me sinto confortável aqui. Aqui onde o meu egocentrismo ecoa mais alto. E eu sempre acho que eu sou o causador de discordia. Talvez, infelizmente, eu não seja nem citado ou relevante. Mas eu me sinto o excesso daquele que já foi essencial. Ou foi o último recurso. Não que alguém esteja vendo meu lado. Não que alguém algum dia o viu. Com os meus olhos. Porque aparentemente muitas pessoas concordam com os que já não me completam.
Hoje eu sorri ao lado do outro. E eu gosto tanto dele. Mesmo sabendo que somos incompativeis. Como dizem esse espaço é muito pequeno pra nós dois. E analisando...Eu sou o perdedor. Todos sabem disso. Quando saímos juntos. Há sempre... O casal. Que todos gostam. Que todos acham bonito e eu não poderia negar que eles se gostam. Ou que isso é realmente bom. Mas além deles há aquele menino. O do L na testa. Aquele que eles provavelmente poderiam ser malvado. Que as vezes até são, silênciosamente por pensamentos. As vezes, coisas escapam. É inevitável.
Eu sei como você se sente, Mr MB.
Eu sei como é não querer se gabar, mas ter o que você quer. Bem na suas mãos. Eu entendo bem disso. Infelizmente, o meu entendendimento é completamente teórico. Porque na prática, o amor nunca ganha do meu lado. E eu me recuso a desistir dele.
O que soa estranho. Dizer isso pra outra pessoa. Amor. Agora parece morto. Eternamente.
Fundo do Poço.
Finalmente, é aqui que acaba. Eu parei de cair. Soou-me rápido. Mas esses oito meses foram os mais vívidos na minha vida. Onde eu bebi toda a minha fantasia e anesteciei o meu desejo de me tornar outro personagem. Eu cheguei longe, cruzei a fronteira. Aboli meu medo. E aprendi a amar. De novo. Eu aprendi a expressar isso. Eu consigo lágrimas de alegria...Que depois foram novas de impacto de rachaduras catástroficas no meu peito. Eu vi, em sua volta, uma luz iluminosa e te chamei de menino dos sonhos. Porque você não esqueceu-me uma noite sequer. Eu senti você deitar ao meu lado. No meu peito. Tocar meus lábios...Eu senti você me abraçar e me derreter. Me disolver e então posso estar em todos os lugares que jamais pensei estar. Eu sou todo esse quarto. O piso, as paredes, o som, os risos, as respirações, eu sou o prazer. Eu sou seu.
Fundo do poço.
Onde eu deveria me reeguer e encontrar meu caminho. Meu caminho longe de você não parece certo. Eu pensei o que aconteceria quando eu deixasse de ser o permanente. O que fica após todos os seus rápidos romances. Porque além da certaza de ser o seu protegido, eu havia feito promessas. Que eu não tinha intenção de quebrar...Se você não fosse outra pessoa agora.
Eu fui longe demais por você. Eu fui longe demais pra mater tudo isso. Você me poupou o peso de destruir tudo. Amanhã faz dois meses. Hoje eu apaguei o teu sorriso do meu.
Eu apaguei tua voz da minha. E teu nome gravado em mim. Hoje eu resisti a olhar pra trás na ida. Eu resisti não me dar a suspeita de querer resgatar o teu surrealismo. Vamos deixá-lo incolor. Dessa vez, não vamos revivê-lo em mim.
Amanhã apagarei o resto das músicas que já se fizeram suas. E quando eu tentar me lembrar de quem eu quis ser...Ou de quem você me deixou pra ser...Eu lerei meu futuro. E olharei pro que eu construí, tentando me achar. Em um lugar sem metade de mim. Que eu vou substituir. Que eu vou reconstruir. Já não me soa impossível seguir. A vontade não vai me acompanhar, espero que também fique aqui essa saudade. E se a dor tentar me encontrar, eu farei um novo abrigo. Mas nunca mais farei de ti o meu abrigo. Porque eu fiquei preso e sozinho. Dentro de teus braços que queimavam...Incendiando minhas palavras...Aquelas bobas que usei pra me proteger, sem ferir. Aquelas que você me disse que eram de vítimas...Que eram propositais.
Minha consciência e minha imagem estão limpas e me sinto abençoado por isso. Eu já cheguei no mais longe. Eu já levei o maior murro na cara. Nada mais me derruba. Agora, que me fiz de pé. E decidi que talvez seja tarde demais.
Que talvez, nunca pensei que diria. Mas sou eu. Que direi adeus.
Soando cliclê ou não. Eu tentei. E foi você, não eu. Eu tentei. Mas talvez não era pra ser.
Talvez não tenha importado o que senti. Essa imensidão de mundo sobre mim. Esse teu brilho me atingiu em cheio. Minhas pernas ainda balaçam e a tontura vem e vai. Não são mais sintomas de coisas que deveriam ser. Não são sintomas de quem está disposto a dizer. Só queria um abraço e ter certeza que alguém sabe que eu não sou tão louco assim. Eu só não queria voltar a solidão. Eu não queria perder mais ninguém. Já perdi muitas partes de mim para me dar ao luxo de perder o que nunca foi meu. Eu só não queria sentir esse mal que ponho em vocês.
Eu só precisava de provas que eu estava certo. Porque eu sei. Eu sinto. Mesmo.
Não estou mais me escondendo. Não estou fazendo-me por pena. Eu sempre senti que chorar era ser fraco. Querer causar impacto. Que eu queria que me ouvissem. Que me dessem atenção.
Hoje, não. Só não consigo conviver só, com minha consciência limpa. Eu estou certo. Mas e se todos estiverem errados...Estar certo é ser o diferente. E não é bem agradável, eu diria.
Eu só não penso mais em fantasiar e sonhar com algo assim...A realidade é diferente do que eu esperava. Eu estou seguindo pelo meu caminho de provações. Provações essas que testam minha resistência e meus valores. Que eu não derrubaria tão fácil por você. Como eu acho que você jamais derrubaria por mim.
Agora, eu declaro que não mereço mais viver no mesmo mundo que o surreal.
Infelizmente, este mesmo sumiu. Talvez, se ele voltar. Eu me torne culpado.
Enquanto isso, você não me deu opções. Você colocou um ponto final...Em algo que eu nunca pensei que teria qualquer definição. Nunca pensei que palavras poderia dizer algo sobre nós.
Honestamente, eu fraquejei caso exista partes de nós dentro de você, em algum lugar. Me perdoe Mr Surreal. Mr One. Mr Lover.
Eu já me mudei tantas vezes. Pra me encaixar em você. Pra me desgrudar de você.
Eu já não sei quem sou. Mas farei dessa pessoa o que eu quero ser. E o que eu quero ser não pode existir enquanto eu não cansar de te querer. E estou me cansando.
Pelo menos de querer alguém que não parece valer a pena. No fim, saberemos se eles foram feliz pra sempre. Pra sempre.
Eu suponho que não.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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