Minha boca se mexe, voluntáriamente. Mas por impulso. Únicamente por impulsos. Ninguém está ditando as palavras, estou seguindo de memória. Uma memória mal contada que não traz explicações. Estou me repetindo, não é mesmo? De novo, de novo e de novo.
Nem sinto mais o gosto das palavras, elas atropelam meu pensamento, juntam-se as silabas e escapam da minha boca, com uma verozidade que nunca foi minha intenção. Assim, soam verdades incontestáveis. Mas isso foi antes...Antes das mudanças virem pro bem. Pro bem...Do novo.
Enquanto meus pés persistiam em caminhar, quando tudo o que eu desejava era um quarto escuro. No fundo do corredor, com trancas. Ficar ali, paralizado. Imóvel. O silêncio se encarregaria dos meus últimos desejos. Não prosseguir. Quero encontrar logo o fim. Aquele 'he dies', chegar bem no último capítulo e ler 'The end', saber que não haveria mais páginas...Era o último ato. Fim daquela peça... Depois, eles seriam só atores...Nada daquilo tinha sido real...Mera mentirinha... Eu queria que chegasse logo no fim, mas que aquilo parasse por ali. Fim.
Não há continuações...O fim devia ser finito. Sem chances de reconsertar. Sem continuações, outros volumes...Tinha que chegar o fim antes que as mentiras fossem reveladas...Antes que essas vozes que me sopram verdades... Sem sobreviventes. Era um caminho sem volta.
Era esse o juramento. Até o fim dos tempos. Pra sempre, eu sou seu.
Prendi a respiração. Como se várias braços saissem da minha cama e me abraçassem de um jeito tão confortante me puxando levemente pra baixo...Afogando meu choro. O frio começou a se aproximar de mim. Junto com essas vozes que me enlouqueceram sussuraram aquela antiga frase cansada.
Me desfiz, sem mais memórias. Apaguei meus trajes, meus jestos, escondi meu chapeu e meus medos. Ceguei meu olhos, tampeu meus ouvidos, mas as frases continuavam a ser despejadas...
Contra minha vontade...Mas soavam o meu vício. Mas apesar das marcas que ficaram, do tempo mal gasto e de alguns pedaços de mim que jamais retornaram... As mudanças vem pro bem.
Pro bem do agora. De mim. Do que sou hoje. Essas mudanças me fizeram bem.
Dolorosas e insuportáveis mudanças para o meu antigo ser. Tão fortes que o destruiram...Me reconstitui, no mesmo corpo, alma nova...Mas não pudi apagar as repetições...Tão ultrajes...
"Eu não posso desistir de nós. Eu não posso abrir mão dessa melhor parte de mim que me traz o maior dos sentimentos. Você pode me oferecer o que? Eu aceito. Qualquer coisa. Pegue minha mão e me leve contigo. Aonde quiser. Eu estarei lá. Te esperando."
Oh don´t you know? Always my thunder. Always my lover. Always mine.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
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