Feche os olhos e tente se imaginar fora disso. Vamos, você tem as respostas. Não vamos voltar a nos chamar de estranhos. Não comece com o que eu custumava a dizer ou ser. Eu sei, eu desencaxei da foma que nos ligava. Mas você sabia me ler. Se você não tivesse criado esse mundo novo e virasse as costas...Você enxergaria. Nós dois nos conheciamos tão bem. E você saberia o que eu queria dizer. Sem eu precisar fazer tantos textos.
Aquele que eu (custumava) conhecer sorriria agora. Para esse drama que nós fomos submetidos. Nós que eramos os meninos que eramos fortes, não correspondidos, sonhadores, que entravam no bar e encontraria o amante com outra pessoa. Alguém insignficante...Ou um melhor amigo. Traição.
Nós que sofremos desse complexo de inferioridade. Que sabemos que estamos sempre nos diminuindo, mas não podemos evitar. Mas você saiu do personagem. Desistiu do drama. Decidiu contracenar com outro. E eu não reconheço esse outro personagem teu. Talvez, seja porque eu nunca cheguei a conhecer o ator. E me apaixonei por uma parte sua. Essa parte que tinha tantos lados. Mesmo sendo um personagem, era complexo. E eu o bibliografei.
Se diz sentir minha falta. Também sente falta de quem (custumava) ser. Quem eramos. Juntos.
Conectados um no outro, de uma forma, inexplicável. Eu sei nunca foi um namoro. Nunca houve esse compromisso. Ou essa troca igual e feroz de sentimentos. Mas havia bem mais do que amizade. Não era mera afinidade. Você sabe disso. Eu sei.
Eu permaneci com meu personagem. Sem outros figurantes. Me tornei o protagonista desse drama e honestamente comecei o monólogo. Eu quis outro texto. Outro cenário. Outra história.
Não, eu não podia me modificar como você mudou. Quebrando meu teatro, amaçando meu nariz vermelho e imitando toda a minha dor, com o rosto tingido de branco.
Você furou a quarta parede* e tocou o ator. Não importa. Você não respeito o aviso de pláteia. Você se recusou se manter sentado e assistir. Você queria mais. Você não desistiria até conseguir tocar-me. E deixar em mim, seja que papel eu receba, uma marca. Uma parte sua presa em mim.
Mentindo comigo, sempre quando acho que poderia achar outro personagem.
Existindo, insistentimente.
Enganando-me dizendo que ainda sobrou muito de mim. Quando só vejo pedaços. Mal montados. E descolados. Que já não encaixam em mais ninguém. Com peças perdidas, quebradas, mortas.
*Quarta Parede: No teatro, há um metódo chamado de Quarta Parede. Que em resumo, seria uma parede grossa que separaria o publico do ator. Ou seja, não há troca...Não há dialogo...Para o ator é como se não houvesse ninguém ali do outro lado. Como se o seu personagem fosse uma vida. Que não espera ser assistida. Muito menos aplaudida, ou não.
Vendo pela primeira vez.
Há 13 anos
Quebrando meu teatro, amaçando meu nariz vermelho e imitando toda a minha dor, com o rosto tingido de branco.
ResponderExcluir... nothing to say.
adoro a forma como você monta um filme (nesse caso uma peça de teatro) por meio das palavras, eu te vejo claramente em um teatro, fantasiado e maquiado.
ResponderExcluirE ao mesmo tempo, eu transfiro isso a realidade, ao que está acontecendo e...
Faz tanto sentido.